Publicado por: Val Rocha | 31 Julho, 2008

O dia em que perdi as palavras

 

flautas pro centro

flautas pro ar

sem palavras

Se você foi Guerreiro Sem Armas 2007, você sabe que eu não exagero quando digo que este grupo era verbal. A gente falava pra valer! Nos fogos de conselho inauguramos a tradição de traduzir as palavras em todas as linguas dos presentes, inclusive nos dialetos indígenas e tribais. Por isso a experiência que vou contar me marcou tanto.

Na noite anterior ao jogo do ar, eu estava cansada… procurei um bambu levinho, fininho para fazer a minha flauta… Não lembro bem quem me ajudou, mas com certeza tive ajuda para fazer a minha única flauta, talvez por isso tive tempo de me maravilhar com a habilidade de Bane que fazia várias e distribuia para aqueles com dificuldade ou cansaço (como eu).

Se você me conhecesse (mas só se conhecesse muuuito bem) ia saber que adoro andar pelo mato, e em especial subir morros, montanhas… adoro subir – é verdade que esta faceta da minha personalidade está escondida sob camadas e camadas de sedentarismo, inércia e sei lá o que mais.

É por isso que eu estava feliz no dia do jogo do ar… Por isso não me senti cansada, não tive medo de cobra, não notei o guia explicando as orquideas… Estava em contato com meu mundo interior e com a exuberância da mata, com a proximidade do céu azul, com o riso da Manu… Neste conversamos Manu e eu, chegamos mais perto uma da outra, eu lembro bem.

O momento mais forte do dia para mim foi quando, depois de conseguirmos dar 7 voltas (?) – parece um exagero…- soprando nossas flautas de bambu o Kaká perguntou se alguém tinha alguma coisa para dizer. Eu procurei onde em geral encontro as palavras e elas não estavam lá… fui um pouco mais a fundo, onde busco palavras só para aqueles momentos especiais… nada! Fui mais fundo ainda, num lugar em que vou poucas vezes e que em geral o que encontro lá não é fácil de verbalizar, este lugar estava cheio, mas quieto… Um silencio morno e confortável. Fiquei lá desfrutando até que percebi que ninguém… NINGUÉM MESMO tinha nada para compartilhar.

Eu soube imediatamente que estava acontecendo alguma coisa, não sei se mágica, mas certamente especial. E acontecia com todos nós.

Depois disso o Kaká nos explicou que o jogo que acabaramos de jogar “limpava” a cada volta que dávamos, uma geração de palavras da nossa mente. E nós demos umas quantas voltas! Ele mencionou também que o leve torpor que sentíamos na boca nos ajudaria a pensar mais antes de falar, e falar aquilo que vem do coração.

Esse jogo mexeu muito comigo… de vez enquando lembro, tento manter minha boca conectada ao meu coração… Não é fácil. Não é nada fácil… Mas é bom tentar.

Meu nome é val e assim eu falei, HEY!


Respostas

  1. Val, que lindo, perfeito!!! Me senti assim tb naquele momento, fiquei todo arrapiado ao ler este texto, não tinha palavras para expressar aquele momento tão único… e nem agora relembrando!!!

    Meu nome é André e assim eu falei: HEY!

  2. Noooooooooooossa! Assim você me deixa ainda mais ansioso!
    Muito muito mais!
    Belo depoimento, abraços…

  3. Moçaaaaa q sensação boa esse seu depo, imagino q foi um momento unico de vários, lendo passa um sentimeto que estamos mesmos conectados e deixamos perceber isso, as vezes….Isso será mais um motivo de conseguir minha vaga para ser uma gsa…Bonito depoimento!

  4. Val,
    Esse dia foi muito marcante pra mim também. Aliás, sempre que havia um jogo, eu sabia que algo estava por vir, para mexer, para cutucar…
    Eu tenho uma pequena história deste dia… e acho que nem o Edgard conhece…. risos
    Eu odeio andar, subir e escalar pior ainda, porque é andar em dobro. Quando vi aquele morro que íamos subir, lá na estrada, no começo, … fiquei branca, mas super topei a proposta e sabia que chegaríamos em algum lugar especial.
    Só que no meio do caminho, o coração já disparado, as pernas cansadas, os passos foram diminuindo… todos passavam por mim e seguiam seu caminho… e eu relutava com meu corpo pesado… e com todo o cansaço.
    Foi quando resolvi parar para respirar um pouco, mas não consegui retomar os passos. Então, lá vem o Edgard, passa por mim e fala: “assim como na trilha, assim como na vida”.
    Aquilo bateu fundo no coração… comecei a chorar muito… Lembro que algumas pessoas pararam pra me consolar… a Jocelyn foi uma delas que me deu a mão e me ajudou a voltar pra trilha…
    Continuei sozinha, pensativa, cansada… e o pior, depois eu vi que o pessoal teve que dar uma parada para eu poder alcançar a turma… que vergonha!
    Enfim, lutei, chorei, cansei, mas não desisti de chegar ao ponto onde iria ser o jogo. E percebi que quando eu mexia com o corpo… com o limite dele… as emoções estravasavam… por isso que chorei.
    E chorei pouco não! Chorei até chegar!
    Só que quando cheguei… tomei consciência que estava totalmente em contato comigo mesmo e parecia que eu havia lavado as coisas que me incomodavam… que estavam me angustiando!
    Foi uma experiência única.
    E logo depois, veio o Jogo…. e tive essa mesma emoção que a Val!
    Um beijão!
    Cinthya

  5. Val,
    Como sempre você me deixa sem palavras…Desde a época de escola, esse seu dom de falar me deixa perplexa!
    Te conheço a tanto tempo, que às vezes me parece incrível você ainda me surpreender.
    Estou morrendo de vontade de me inscrever e aproveitar esta oportunidade linda, de me encontrar com o meu eu mais profundo. Vamos ver, né? Vou divulgar para as pessoas que conheço.
    Te amo, amiga!
    bjs sempre saudosos,
    Adri Lima

  6. Val,

    vim dar uma olhadinha nos blogs dos futuros Guerreiros, e me emocionei!

    Mil Beijos, MUITAS SAUDADES!

    Nina

  7. vou tentar escrever em portugues … e que sou uruguaio … as pessoas que me atrairao para UAV eram os fundadores do ELOS … pessoas que conheci pelo vinculo deles com o ELEA – encontro de estudantes de arquitetura – (Edgar, rodrigo, Mariana, Natasha e Val) … a coisa e que os guerreiros que conheci (alguns muito outros gostaria de ter conhecido mais a fundo) todos !! e digo todos !!! sao meus irmaos hoje em dia … eles sabem que minha casa e a casa deles e vicesversa … mas o que quero dicer e que e motivo de escrever e que as pessoas que nos recebem no lugar onde trabalhamos (no meu caso Paqueta – UAV 2007) sao as que traducem a ecuacao de que em nos lugares onde moramos tambem existem pessoas q precisam ver que sao capaces de facer “milagros” com os recursos que dispoem … nao esquecam disso … era o que eu queria dicer … saudades de todos …
    Eu sou o negro e assim falei, HEY !!!!

  8. Achei bom compartir uma conversa de MSN entre dois guerreiros de 2007:

    Cinthya dice:
    cada um deixou um pedacinho de ser em mim…
    negroricardo® dice:
    acho q nos todos deichamos “pedasitos” de nos todos em todos !
    Cinthya dice:
    sim
    negroricardo® dice:
    e isso e o que fez magica a convivencia ….

    saudades !!!


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